terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ao Solitário

Enquanto permaneço aqui,envolto em teus mantos obscurecidos de sombras
Onde refugio-me da mais clara dentre todas as luzes e da mais agradável dentre todas as companhias
Sinto-me em paz!
Sinto-me bem em estar só comigo mesmo e com ti,Oh adorável solidão
Quantas vezes me acolhestes em teus braços frios e delicados e me chamastes de filho.
Quantas vezes me guiastes pela mão e me mostrastes o caminho a ser seguido.
Quantas vezes recorremos um ao outro para enfim encontrar um mínimo de amor.

Oh,adorável solidão, por que me acolhestes para ser seu acompanhante eterno,seu doce amante,teu filho solitário?
Por que me privastes de sabores que tu não podes me dar?
Por que esse egoísmo desenfreado de ter-me só pra ti?
Amável solidão,não é condenavel vossa decisão,e para lhe ser fiel,não quero respostas para estas perguntas.
Apenas desejo a ti,pois o solitário que ama aquilo que mais o ama nunca está sozinho.

Autor:Charles Dias.

Linfa Rubra

Bebi...com algum tímido remorso reprimido
Pensando no arrependimento embutido,que viria com esse ato obsceno
mas que no ardor do momento fez-me esquecer
de todas as consequências lógicas que haviam por vir.

Bebi ciente dos danos,mais o prazer venceu facil a racionalidade
Entregando-me indefeso a um mar tempestuoso...
Onde,mergulhado em êxtase profundo,saciava toda minha sede
a minha e a do mundo,nesta linfa avermelhada que ainda continha um gosto estranho de ferrugem.

Prazeres conjuntos,cegos para toda moralidade existente
viam apenas em vermelho,e o vermelho ignorava tudo aquilo que a razão dizia
Dizia em voz frouxa e trêmula,um soar quase inaldível
Agora que a lâmina também atravessava minha pele.

Frenesi extático,dominador da mente e da mais sacra alma
canonizou-me em seu altar libidinoso,fazendo de mim teu sacerdote
Crente em teu poder milagroso em fazer-me esquecer de mim e de tudo que não fosse "o vermelho".

Autor:Charles Dias.

Instinto

Me imponho sobre ti
como um dragão mitologico que apanha sua caça
sem se importar com a desgraça,que causa a quem tudo assiste boquiaberto
com o terrivel espetáculo que sem dúvida parece uma miragem
a esses olhos que pouco vêem.

Faço minha vontade lei suprema
e impero sempre que desejo,desejar mais um desejo
uso-te como instrumento tosco e mal cuidado
para realizar minhas ações que já não cabem em minhas mãos
calejadas pelo tempo.

Como minha marionete eu lhe ordeno,que sente e fique calado
ou vá buscar de outro lado o que revindico no momento
pois é tudo precipitado ao ardor e impeto violento
que age como reflexo inato,mediante um simples movimento.

Escute o que digo pois sou superior a razão
precedo a sabedorei e sem mim o devir não aconteceria
tudo já teria acabado pois tudo nesse mundo é falho
menos minha voz que comanda os atos,de tudo o que age.

Prazer....é vosso instinto que vos fala.


Autor:Charles Dias.